“O fedor aqui é horrível. Mas continuo tentando porque estou procurando meu tio. Não podemos ficar de braços cruzados quando existe a possibilidade de haver pessoas vivas sob os escombros”, diz William Rodrigues. “A ajuda chegou muito tarde na maioria dos lugares e, em alguns, ainda não chegou”.
Embora a polícia estivesse presente perto do complexo, ela não se envolveu nem ajudou nos esforços de resgate.
Juan Avendo, de 60 anos – que mora do outro lado da rua de Bello Horizonte – e cuja casa também foi destruída, diz: “Podíamos ouvir os gritos e berros das pessoas presas sob os escombros.
Ele e seu sobrinho Enyer Musics descreveram como conseguiram tirar uma mulher viva.
“Nós a ouvimos gritando durante a noite. Mas estava escuro e não podíamos fazer nada. Então, na manhã seguinte, fomos e tentamos encontrá-la. Primeiro conseguimos passar-lhe uma garrafa de água. E depois trabalhamos para retirá-la”, diz ele.
A primeira equipe oficial de resgate – bombeiros venezuelanos – chegou na sexta-feira, quase dois dias após o terremoto. Equipes de El Salvador e dos EUA também ajudaram. Mais alguns sobreviventes foram encontrados e, no domingo, a operação foi cancelada.
Juan estima que centenas de pessoas provavelmente estejam mortas sob os escombros.
É possível que os seus corpos nunca sejam encontrados e que nunca saibamos a verdadeira escala deste desastre.
Reportagem adicional de Aakriti Thapar, Maria Ines Calderon e Sanjay Ganguly.







