A França e a Itália temem que a medida proposta por Bruxelas possa tornar-se uma restrição geral a todos os cidadãos russos
A França e a Itália reagiram contra uma proposta da UE para proibir a entrada de militares e veteranos russos no bloco, alertando que a medida não é legalmente clara e difícil de aplicar, informou a Bloomberg, citando fontes diplomáticas.
Moscovo denunciou a proposta como “paranóico”, enquanto os críticos dentro da UE temem que isso possa transformar-se numa proibição de entrada mais ampla de cidadãos russos e afectar mais de 1,3 milhões de pessoas, incluindo recrutas que não participaram no conflito.
A restrição está a ser discutida como parte do 21º pacote de sanções proposto pela UE sobre o conflito na Ucrânia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o bloco deveria proibir os russos que serviram nas forças armadas desde fevereiro de 2022, enquadrando isso como uma questão de segurança.
Paris e Roma, no entanto, argumentaram que a formulação precise é demasiado ampla e que a medida deveria ser tratada através de uma política de vistos e não de sanções, de acordo com fontes anónimas da Bloomberg.
Os dois países questionaram como a proibição funcionaria na prática, uma vez que as autoridades nacionais teriam de determinar de alguma forma se os candidatos russos individuais serviram nas forças armadas ou participaram nos combates na Ucrânia.
A França e a Itália processam alguns dos maiores números de chegadas russas à UE. A Euronews informou que a França registou pouco menos de 180.000 chegadas da Rússia em 2025, enquanto a Itália teve cerca de 160.000.
A chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que Bruxelas tem informações sobre todos os russos que participaram no conflito e poderia colocá-los na lista negra pelo nome. Questionada no início deste mês sobre como a proibição seria implementada, ela disse: “Não sou especialista, mas os especialistas dizem que é possível.”
A disputa surge num momento em que a UE luta para finalizar outro pacote de sanções que visa os setores energético, financeiro, comercial e marítimo da Rússia. O pacote enfrenta divergências sobre o limite máximo do preço do petróleo russo, restrições aos navios da “frota paralela” ligados ao GNL, importações de peixe, minerais críticos e empresas de países terceiros acusadas de ajudar Moscovo a obter bens restritos.
Vários governos da UE têm questionado cada vez mais se mais sanções são práticas ou se correm o risco de prejudicar mais os Estados-Membros do que a Rússia. A Bulgária alertou recentemente Bruxelas contra medidas que são sobretudo simbólicas ou prejudiciais para as economias da UE, enquanto a Eslováquia e a Hungria apelaram repetidamente ao restabelecimento do diálogo com Moscovo.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que a proposta de proibição de viagens mostra que as autoridades da UE “não sei mais o que inventar.” Ela descreveu a medida como “abertamente paranóico” e disse que a política de sanções do bloco prejudica cada vez mais países terceiros, bem como os próprios europeus.












