O Irão argumentou que “não tem escolha” senão desenvolver uma arma nuclear para garantir a sua segurança, apesar do recente compromisso de Teerão, ao abrigo de um acordo preliminar com os Estados Unidos, de não prosseguir com armas nucleares, de acordo com uma reportagem da imprensa ligada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).O artigo, intitulado “Não há escolha senão construir a bomba atómica”, foi publicado no domingo pela agência de notícias Fars, afiliada ao Estado iraniano, e afirmava que Teerão deve negociar com os seus adversários a partir de uma posição de força e dissuasão estratégica.“Para alcançar a paz e a calma que o Irão necessita, deve absolutamente alcançar a dissuasão nuclear para garantir que o resto das questões podem ser resolvidas através da negociação”, afirma o artigo, fazendo comparações entre o precise deadlock do Irão com os Estados Unidos e a posição estratégica da China durante a década de 1970.Fazendo uma comparação com as relações da China com os Estados Unidos na década de 1970, o artigo argumentava que Pequim só foi capaz de negociar com Washington depois de desenvolver armas nucleares.“A América ameaçou a China com um ataque nuclear duas vezes, semelhante às recentes ameaças nucleares de Trump contra o Irão – mas quando é que Kissinger se reuniu secretamente com os chineses e depois negociou? Foi quando a China construiu a bomba atómica”, afirmava o artigo.Argumentou ainda que as armas nucleares ajudariam a estabelecer um equilíbrio estratégico com os países que possuem arsenais nucleares.“A dissuasão nuclear significa que é possível alcançar um equilíbrio de poder contra a América e Israel, que possuem bombas atómicas – não para que a guerra não aconteça, mas para que o âmbito do conflito permaneça controlável”, afirmou.Os comentários surgem apesar do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão no início deste mês, ao abrigo do qual o Irão concordou em permitir que inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) recuperassem o acesso às suas instalações nucleares depois de a supervisão ter sido suspensa no ano passado.Como parte do acordo, o Irão também se comprometeu a não desenvolver armas nucleares, enquanto os Estados Unidos apelaram a Teerão para suspender todas as actividades de enriquecimento de urânio durante 20 anos.A publicação do artigo ocorre no momento em que o Diretor Geral da AIEA, Rafael Grossi, renova os apelos ao acesso irrestrito às instalações nucleares do Irão. “O governo do Irão afirmou claramente que [developing nuclear weapons] não é a intenção deles, mas é claro que as intenções não são suficientes”, disse Grossi a repórteres na sexta-feira.“Para ter certeza, precisamos de um sistema de verificação muito forte o mais rápido possível”, acrescentou.Embora o Irão tenha concordado em permitir o regresso dos inspectores da AIEA em Setembro, ainda não concedeu acesso às instalações nucleares danificadas durante os ataques dos EUA ordenados pelo Presidente Donald Trump em 2025. O paradeiro do arsenal de urânio enriquecido do Irão também permanece obscuro.As autoridades iranianas continuaram a defender as capacidades militares do país como essenciais para a segurança nacional. “As capacidades militares do Irão garantem o direito inerente do povo iraniano à legítima defesa face a agressões e crimes, ao mesmo tempo que garantem a paz e a estabilidade na região”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, numa publicação no X na sexta-feira.Baghaei também criticou os países do Golfo, acusando-os de “se envolverem em agressões contra o seu vizinho muçulmano” enquanto “permanecem em silêncio sobre o arsenal nuclear israelita”.









