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A Índia acaba de construir a primeira usina de hidrogênio do mundo que funciona com calor nuclear, não com eletricidade

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A Índia encomendou uma instalação piloto de produção de hidrogénio que utiliza o calor de um reator nuclear, em vez da eletricidade da rede convencional, para gerar hidrogénio limpo.A instalação, criada pelo Departamento de Energia Atômica do Centro Indira Gandhi de Pesquisa Atômica (IGCAR) em Kalpakkam, Tamil Nadu, usa calor de alta temperatura do Reator de Teste Quick Breeder para dividir a água em hidrogênio e oxigênio por meio de um processo desenvolvido localmente, marcando um passo significativo na pesquisa de energia limpa assistida por energia nuclear.

Qual é o ciclo termoquímico cobre-cloro?

Para compreender a importância do desenvolvimento, é importante observar como o hidrogénio é normalmente produzido. O método mais utilizado atualmente é a reforma a vapor do metano, que depende do gás pure e de altas temperaturas para extrair hidrogénio de combustíveis fósseis, resultando no que é conhecido como hidrogénio cinzento, com emissões substanciais de carbono.Uma alternativa mais limpa é a eletrólise, que utiliza eletricidade para dividir a água em hidrogênio e oxigênio. Quando alimentado por fontes de energia renováveis, como photo voltaic ou eólica, este processo produz hidrogénio verde sem emissões diretas de carbono.No entanto, os cientistas também vêm desenvolvendo uma terceira through há décadas, o ciclo termoquímico Cobre-Cloro (Cu-Cl). Desenvolvido localmente pelo Centro de Pesquisa Atômica Bhabha (BARC) em Mumbai, o processo não depende da eletricidade como insumo principal. Em vez disso, utiliza calor de alta temperatura, como o gerado por um reator nuclear, para conduzir uma série de reações químicas envolvendo compostos de cobre e cloro que são continuamente reciclados dentro do sistema.Através deste ciclo fechado, a água é dividida em hidrogénio e oxigénio, enquanto os compostos de cobre e cloro são reutilizados. O processo não envolve a queima de combustíveis fósseis e não produz emissões diretas de dióxido de carbono.

Uma maneira mais rápida e limpa de produzir hidrogênio

Os cientistas estão particularmente encorajados com o desenvolvimento, não só porque elimina as emissões de carbono, mas também devido às suas potenciais vantagens de eficiência. Embora a eletrólise também possa produzir hidrogénio limpo quando alimentada por energia renovável, ela envolve múltiplas etapas de conversão de energia, cada uma das quais conduz a perdas.Em contraste, o ciclo termoquímico Cobre-Cloro (Cu-Cl) permite que o calor seja usado diretamente para conduzir reações químicas, ignorando a necessidade de primeiro converter calor em eletricidade. Ao eliminar esta etapa intermediária, o processo tem o potencial de extrair mais hidrogênio da mesma quantidade de entrada de energia.O ciclo opera a cerca de 500°C, uma temperatura relativamente moderada em comparação com outros métodos termoquímicos que requerem níveis de calor muito mais elevados e são, portanto, mais difíceis de implementar em escala. Reatores reprodutores rápidos, como o Quick Breeder Take a look at Reactor (FBTR) em Kalpakkam, são capazes de fornecer calor nesta faixa de temperatura, tornando a abordagem mais viável tecnicamente para aplicação no mundo actual.

Reator Kalpakkam é chave para novo demonstrador de tecnologia de hidrogênio

O Quick Breeder Take a look at Reactor (FBTR) no Centro Indira Gandhi de Pesquisa Atômica (IGCAR), Kalpakkam, tem sido um pilar basic do programa de pesquisa nuclear da Índia há décadas. É um reator rápido resfriado a sódio que utiliza sódio líquido como refrigerante em vez de água, permitindo operar em temperaturas mais altas do que os reatores convencionais. Isto o torna particularmente adequado para fornecer o calor de processo necessário para o ciclo Cobre-Cloro (Cu-Cl).O FBTR também contribuiu significativamente para o desenvolvimento de combustíveis, materiais e tecnologias relacionadas no âmbito do programa de energia nuclear de três fases da Índia, que inclui o protótipo do reactor de criação rápida de 500 MWe, actualmente em desenvolvimento avançado em Kalpakkam, como a sua segunda fase emblemática.De acordo com o Departamento de Energia Atómica, a instalação de hidrogénio recentemente inaugurada é um demonstrador de tecnologia concebido para validar o processo em condições operacionais reais, gerar dados de desempenho e apoiar uma maior otimização antes de uma potencial expansão. O projeto é o resultado de um esforço conjunto entre a BARC e a IGCAR, envolvendo anos de pesquisa, projeto de engenharia, fabricação e testes antes do comissionamento.

O que é ‘hidrogênio rosa’ e por que isso é importante?

O hidrogénio produzido na instalação é frequentemente referido como “hidrogénio rosa”, um termo usado para o hidrogénio gerado utilizando energia nuclear como fonte primária, sem emissões diretas de carbono. É classificado juntamente com o hidrogénio verde, produzido a partir de energias renováveis, e o hidrogénio azul, derivado do gás pure com captura de carbono, como um dos caminhos mais limpos para a produção de hidrogénio.O que distingue o hidrogénio rosa, e o que a nova instalação de Cu-Cl demonstra, é o potencial da energia nuclear para fornecer uma fonte contínua e independente do clima de hidrogénio limpo. Ao contrário da energia photo voltaic e eólica, que são intermitentes e dependem das condições climáticas, os reatores nucleares funcionam 24 horas por dia.Como resultado, um sistema de hidrogénio baseado em calor nuclear pode produzir hidrogénio 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem interrupção, oferecendo um fornecimento estável e fiável. Esta consistência é particularmente significativa para indústrias que exigem disponibilidade contínua e em grande escala de hidrogénio.

Alimentando a indústria pesada com hidrogênio

As indústrias que hoje dependem fortemente do hidrogénio, incluindo a produção de fertilizantes, a refinação de petróleo e a produção de aço, também estão entre as maiores fontes de emissões de carbono da Índia. Só as fábricas de fertilizantes utilizam grandes volumes de hidrogénio para produzir amónia, sendo a maior parte deste hidrogénio derivado actualmente do gás pure.Se a produção de hidrogénio baseada no calor nuclear puder ser aumentada a custos competitivos, poderá proporcionar a estes sectores uma through viável para a descarbonização sem exigir grandes mudanças nos seus principais processos industriais.O hidrogénio também está a ser explorado como combustível potencial para transportes pesados, incluindo camiões, navios e possivelmente comboios. Nestas aplicações, o hidrogénio oferece uma vantagem sobre as baterias devido à sua maior densidade de energia por quilograma, tornando-o mais adequado para operações de longa distância e de carga pesada, onde o peso da bateria se torna uma limitação.Um fornecimento constante e com baixo teor de carbono de hidrogénio produzido continuamente utilizando energia nuclear poderia, portanto, desempenhar um papel significativo na aceleração dos esforços mais amplos de descarbonização da Índia.

Da energia ao hidrogénio: a visão nuclear da Índia cresce

O programa de energia nuclear da Índia é há muito guiado por uma visão de longo prazo que vai além da produção de electricidade. Concebido pelo Dr. Homi Bhabha, o programa de três fases visa, em última instância, utilizar as abundantes reservas de tório do país como combustível.A integração da produção de hidrogénio neste quadro expande ainda mais o papel da energia nuclear, passando-a da produção de energia para a produção de combustíveis limpos. De acordo com Ajit Kumar Mohanty, Secretário do Departamento de Energia Atómica (DAE), o desenvolvimento reflecte as crescentes capacidades da Índia em tecnologias nucleares avançadas e demonstra que a contribuição da energia nuclear para um futuro sustentável pode ir muito além das aplicações de reactores convencionais.

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