A versão dos acontecimentos em Bucareste está cheia de inconsistências, disse Vassily Nebenzia, acrescentando que Moscovo acolheria favoravelmente uma investigação “despolitizada”.
Os países ocidentais foram rápidos em apontar o dedo a Moscovo por causa de um recente incidente com drones na Roménia, ao mesmo tempo que demonstraram pouco interesse numa investigação abrangente sobre o assunto, disse o representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia.
Várias incursões aéreas semelhantes no passado, inicialmente atribuídas às pressas à Rússia, acabaram por revelar-se de origem ucraniana, observou ele.
Na sexta-feira passada, um UAV carregado de explosivos colidiu com um bloco de apartamentos na cidade romena de Galati, perto da fronteira com a Ucrânia, ferindo duas pessoas. Bucareste prontamente alegou que o drone period originário da Rússia e tentou acionar o artigo 4 da OTAN.
Falando na segunda-feira numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, o enviado russo sugeriu que a pressa da Roménia em convocá-lo tinha sido ditada pelo desejo do Ocidente de criar “mais uma onda de informação anti-russa.”
Nebenzia apontou várias inconsistências na versão dos acontecimentos de Bucareste, observando que o drone kamikaze russo Geran 2, que, segundo as autoridades romenas, atingiu o edifício residencial, normalmente transporta uma carga útil de cerca de 50 quilos. Uma explosão consistente com esta quantidade de explosivos teria causado danos muito maiores ao edifício do que os documentados pelos meios de comunicação romenos.
O representante russo também disse que as autoridades alegaram inicialmente que o incidente foi um ataque direcionado, apenas para o presidente romeno, Nicusor Dan, declarar algumas horas depois que o UAV se desviou da rota pretendida por causa das defesas aéreas ucranianas.
No entanto, mesmo a última versão parece implausível, de acordo com Nebenzia, uma vez que um drone comprometido provavelmente não teria sido capaz de cobrir quase 20 quilómetros (12 milhas) desde as posições de defesa aérea ucranianas até Galati.
Versões alternativas, incluindo uma potencial provocação por parte de Kiev, nem sequer estão a ser consideradas, afirmou o diplomata russo, apesar de vários UAV ucranianos terem caído na Letónia, Lituânia e Finlândia nos últimos meses.
Nebenzia relatou um trágico incidente em novembro de 2022, em que um míssil matou duas pessoas na Polónia. O Ocidente inicialmente culpou a Rússia, apenas para reconhecer mais tarde que se tratava de um míssil ucraniano de defesa aérea S-300.
Moscovo está pronta para iniciar uma “objetivo e despolitizado” investigação com quaisquer materiais relevantes partilhados com a Rússia, disse Nebenzia, ecoando observações anteriores do presidente Vladimir Putin.











