A Netflix continua expandindo seu catálogo de investigações criminais de maneiras bem inusitadas, oferecendo opções para quem quer rir e para quem busca tensão psicológica. Se você é fã de histórias de detetive, a plataforma te joga agora em dois extremos absolutos. De um lado, temos uma comédia romântica onde o dom paranormal de investigação vem, literalmente, de apalpadas em traseiros. Do outro, mergulhamos no submundo denso de um investigador norueguês lutando contra seus próprios demônios, assassinos em série e colegas de farda corruptos.
O toque inusitado da comédia policial sul-coreana
A aposta da vez para dar boas risadas atende pelo nome de Behind Your Touch, que tem sua estreia marcada para o dia 12 de agosto. A trama subverte completamente o que a gente normalmente espera do gênero romance com investigação. A veterana da comédia Han Ji Min dá vida à Bong Ye Bun, uma dedicada veterinária de cidade pequena. Ela ama cuidar de cães e gatos, mas guarda um segredo para lá de bizarro. A médica consegue acessar as memórias e o passado de qualquer animal ou ser humano. O truque para a mágica acontecer é que ela precisa, necessariamente, tocar no bumbum deles.
Pode parecer maluquice e a intenção é exatamente essa. A dinâmica da história engrena quando a veterinária, que tem um lado bem enxerido, cruza o caminho de Moon Jang Yeol. Interpretado por Lee Min Ki, ele é um detetive pavio curto que acaba dependendo desesperadamente dessas “habilidades manuais” um tanto constrangedoras da protagonista para resolver crimes. O que começa com pequenos furtos e mistérios bobos locais rapidamente escala para assassinatos bizarros, tudo amarrado com muito humor pastelão. E claro, os fãs de K-pop também têm um motivo extra para assistir. Suho, integrante do famoso grupo EXO, participa do elenco como Seon Woo. Ele é o jovem funcionário de uma loja de conveniência que surge na narrativa como o grande interesse amoroso da nossa heroína.
Trauma, calor e corrupção profunda na Noruega
Apenas algumas abas de distância no streaming, o clima muda drasticamente. A adaptação de Jo Nesbø’s Detective Hole puxa o freio de mão do humor e nos lança no lado mais angustiante da mente humana. Esqueça a leveza coreana. Aqui, o protagonista é o detetive Harry Hole, vivido com camadas surpreendentes por Tobias Santelmann. A série não poupa o espectador e já começa com um evento traumático cinco anos no passado. Durante uma perseguição caótica de helicóptero e viatura aos ladrões de um banco, Harry, dirigindo sob forte efeito de álcool, bate em um bonde. O carro voa pelos ares e o acidente custa a vida do seu parceiro.
O tempo avançou. Hoje, a gélida Oslo sofre com uma onda de calor insuportável, detalhe que deixa a atmosfera da série ainda mais sufocante. Harry está tentando juntar os cacos. Ele parou de beber, começou a namorar a advogada Rakel Fauke (Pia Tjelta) e realmente se esforça para ser uma figura paterna presente, inclusive ajudando o enteado a perder o medo da plataforma alta de salto na piscina local. Apesar do seu chefe implorar para que ele esqueça o passado, o detetive passa os dias de calor escaldante sem camisa, vidrado nos monitores de segurança daquele assalto fatal que arruinou sua vida.
A poeira do caso antigo levanta de novo quando o departamento de narcóticos apreende uma pistola Ceska na garagem do traficante Sverre Olsen (Arthur Hakalahti). Como esse tipo de armamento é mosca branca na cidade, a equipe liga os pontos com o assalto. Harry conta com o apoio investigativo da parceira Ellen Gjelten (Ingrid Bolsø Berdal) e de Beate Lønn (Ellen Helinder), uma especialista em biometria recém-transferida da Suécia. Graças à memória fotográfica de Beate analisando vídeos, o grupo descobre que um visitante assíduo da boca de fumo de Olsen é ninguém menos que Tom Waaler (Joel Kinnaman). Ele é um investigador da própria polícia, conhecido pela arrogância e por andar numa linha moral bem tênue. Ao ser confrontado na sua luxuosa casa, bancada por uma herança, Waaler usa o cinismo para se defender, alegando ser ex-namorado de Beate e tentando descredibilizar a inteligência da colega.
A situação sai totalmente do controle quando Ellen decide verificar o esconderijo do traficante numa cabana no meio da floresta. Ela incentiva Harry a tirar uma folga para curtir a nova família, indo sozinha para o local. O problema é que Tom Waaler já estava lá, e suas intenções passam longe de cumprir a lei. Kinnaman constrói um antagonista cínico e extremamente perigoso. Harry se vê cercado por inimigos: ele precisa caçar um serial killer que assombra a cidade, desmascarar o esquema de Waaler e, acima de tudo, lutar contra o gatilho da recaída nos seus próprios vícios após os eventos trágicos que se desenrolam na cabana.




