Nas profundezas de Medellín, na Colômbia, os cientistas criam milhões de mosquitos todas as semanas e depois libertam-nos propositadamente no ambiente. À primeira vista, isso pode parecer estranho, especialmente porque os mosquitos são conhecidos por espalharem doenças perigosas. Mas os pesquisadores dizem que esses insetos estão, na verdade, sendo usados para ajudar a impedir a propagação de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. O projeto, apoiado em parte pela Fundação Invoice & Melinda Gates e apoiado pelo Programa Mundial de Mosquitos, produz cerca de 30 milhões de mosquitos todas as semanas. Esses mosquitos carregam uma bactéria inofensiva chamada Wolbachia, o que torna muito mais difícil a propagação dos vírus dos mosquitos para os humanos.
Por dentro da maior fábrica de mosquitos do mundo apoiada por Invoice Gates
A instalação em Medellín é um dos maiores centros de reprodução de mosquitos do mundo, produzindo milhões de mosquitos todas as semanas como parte de uma missão incomum de saúde pública. Os cientistas de lá criam principalmente o Aedes aegypti, espécie conhecida por espalhar doenças como dengue, zika e chikungunya. Dentro de laboratórios com temperatura controlada, os pesquisadores monitoram cuidadosamente cada etapa do ciclo de vida dos insetos, desde ovos e larvas até mosquitos adultos, antes de prepará-los para liberação nas comunidades próximas.O que diferencia esses mosquitos é uma bactéria pure chamada Wolbachia. Os cientistas descobriram que quando os mosquitos Aedes aegypti transmitem Wolbachia, tornam-se muito menos propensos a espalhar vírus perigosos para os seres humanos. Os mosquitos não são geneticamente modificados. Em vez disso, os investigadores introduzem as bactérias nos ovos dos mosquitos em condições de laboratório e depois reproduzem as gerações futuras com a mesma característica.Uma vez libertados na natureza, estes mosquitos começam a acasalar com populações locais de mosquitos, ajudando a bactéria Wolbachia a espalhar-se naturalmente ao longo do tempo. À medida que mais mosquitos em uma área carregam a bactéria, menos mosquitos são capazes de transmitir vírus como a dengue. Os investigadores dizem que o objectivo não é eliminar completamente os mosquitos, mas substituir gradualmente as populações de mosquitos mais perigosas por outras menos prejudiciais. É por isso que os cientistas consideram o programa diferente da pulverização tradicional de pesticidas, que se concentra na eliminação imediata dos insectos.Os mosquitos são libertados através de vários métodos. Em alguns bairros, os moradores recebem pequenos recipientes cheios de ovos de mosquitos que eclodem naturalmente. Noutras áreas, os mosquitos adultos são libertados de veículos ou contentores especializados. As comunidades locais também estão fortemente envolvidas no programa, com os residentes a ajudar os cientistas a monitorizar as populações de mosquitos e a colocar armadilhas para mosquitos nos seus bairros.O projeto ganhou atenção mundial depois que Invoice Gates visitou as instalações e mais tarde o descreveu como uma das novas abordagens mais promissoras para combater doenças transmitidas por mosquitos. Hoje, a fábrica de mosquitos de Medellín tornou-se um símbolo de como os cientistas estão a tentar combater surtos globais de doenças utilizando a biologia em vez de dependerem apenas de produtos químicos e pesticidas.Os investigadores dizem que o objectivo não é aumentar para sempre as populações de mosquitos, mas substituir gradualmente os mosquitos transmissores de doenças por outros menos nocivos.

O projeto tem mostrado resultados promissores
Estudos de diferentes países mostraram resultados encorajadores. Na Indonésia, as áreas onde os mosquitos Wolbachia foram libertados registaram grandes reduções nas infecções por dengue e nas visitas hospitalares.Pesquisadores na Colômbia também relataram quedas acentuadas nos casos de dengue desde que o programa começou em Medellín, em 2015.Os cientistas acreditam que este método pode tornar-se uma ferramenta importante para países onde as doenças transmitidas por mosquitos afectam milhões de pessoas todos os anos.
Teorias da conspiração em torno do projeto mosquito
O programa de libertação de mosquitos também se tornou objecto de teorias de conspiração on-line, com publicações virais nas redes sociais alegando que os insectos são “mosquitos mutantes”, parte de experiências secretas ou ligados a esforços de controlo populacional. Algumas postagens até sugeriram que os mosquitos foram geneticamente modificados para espalhar doenças intencionalmente depois que vídeos e imagens da instalação colombiana começaram a round on-line.Cientistas e organizações de saúde envolvidas no programa rejeitam essas alegações. Os pesquisadores dizem que os mosquitos não são geneticamente modificados e, em vez disso, carregam a Wolbachia, uma bactéria pure já encontrada em muitas espécies de insetos. Especialistas dizem que o projeto visa reduzir a propagação de doenças como dengue e zika.
Uma esperança para o controle international de doenças
As doenças transmitidas por mosquitos infectam centenas de milhões de pessoas todos os anos, especialmente em países tropicais. Os métodos tradicionais, como a pulverização química e a fumigação, têm lutado para impedir totalmente os surtos.Os pesquisadores acreditam que o controle do mosquito baseado na Wolbachia poderia oferecer uma solução mais segura e duradoura. Em vez de exterminar completamente as populações de mosquitos, o método visa torná-los menos perigosos para os seres humanos.É por isso que a fábrica de mosquitos de Medellín se tornou um símbolo importante de uma nova abordagem à saúde pública, onde os cientistas estão a utilizar a biologia para combater algumas das doenças que se espalham mais rapidamente no mundo.









