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‘Estamos com você’: Chefe da OMS corre para o Congo enquanto surto de Ebola piora

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Foto do arquivo: Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus (crédito da imagem: AP)

O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, apelou a um apoio internacional mais forte para conter um surto de Ébola que se espalha rapidamente na República Democrática do Congo (RDC), alertando que os atrasos na resposta e a desconfiança nas comunidades estão a dificultar os esforços para controlar o vírus.Tedros fez o apelo no sábado ao chegar a Bunia, capital da província de Ituri, uma das áreas mais atingidas.Falando aos jornalistas, ele disse que a comunidade internacional já estava a ajudar o governo da RDC, mas sublinhou que eram urgentemente necessários mais financiamento e um envolvimento mais forte da comunidade.“Estamos aqui para discutir com a comunidade, para ver como está a correr a resposta e se há desafios para ajudar”, disse Tedros, segundo a agência noticiosa AFP.Ele acrescentou: “Você não está sozinho nisso. Estamos aqui, estamos com você e veremos isso juntos.”

Apela à construção de confiança em meio ao aumento de casos

Tedros enfatizou que controlar o surto exigiria o que descreveu como “apropriação comunitária”, incluindo a abordagem da desinformação e da desconfiança em torno da resposta à doença.Ele também disse que embora a assistência internacional fosse importante, a cooperação native continuava crítica. “Há experiência neste país e sob a liderança do governo, e especialmente com a propriedade comunitária, podemos pará-lo”, disse ele, segundo a AFP.O chefe da OMS instou ainda os países que impuseram restrições de viagem ou encerramentos de fronteiras a reconsiderarem tais medidas, dizendo que poderiam desencorajar a comunicação e a transparência que são essenciais para controlar o surto.“A República Democrática do Congo já enfrentou o Ébola antes, 16 vezes, e acabou com todos os surtos. Este é o 17. Essa história dá-me verdadeira confiança”, disse Tedros em conferência de imprensa, segundo a agência de notícias AP.

Rápida propagação pelo Congo e Uganda

O surto, causado pela febre hemorrágica altamente contagiosa Ébola, já se espalhou por três províncias do leste da RDC e pelo vizinho Uganda. De acordo com os números do Africa CDC, houve pelo menos 1.077 casos suspeitos e 246 mortes na RDC desde que o surto foi declarado em 15 de Maio, juntamente com nove infecções confirmadas e uma morte no Uganda.As autoridades de saúde alertam que a verdadeira escala do surto pode ser significativamente maior devido à capacidade limitada de testes e à insegurança na região.

Esforços de ajuda e desafios no terreno

A ajuda médica começa a chegar a Bunia, incluindo fornecimentos provenientes da União Europeia, enquanto os Estados Unidos também anunciaram apoio financeiro adicional. No entanto, as agências humanitárias afirmam que a resposta ainda enfrenta dificuldades para acompanhar a propagação do surto.Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertaram que o surto está a avançar mais rapidamente do que a resposta, dizendo: “Nunca antes um surto de Ébola registou tantos casos tão cedo após a sua declaração”.A organização apelou à expansão dos testes, à mobilização mais rápida de profissionais de saúde e à melhoria do acesso a fornecimentos médicos.As instalações de saúde na província de Ituri relataram desafios constantes, incluindo insegurança, infra-estruturas limitadas e ataques repetidos a centros médicos, complicando ainda mais as operações de resposta.

Medidas de busca e contenção de vacinas

A estirpe do Ébola responsável pelo surto, o vírus Bundibugyo, não tem atualmente nenhum tratamento ou vacina aprovados. No entanto, as autoridades de saúde afirmaram que potenciais vacinas estão a ser avaliadas para ensaios clínicos e que uma candidata pode estar pronta ainda este ano.Por enquanto, a OMS afirma que a contenção depende de medidas tradicionais, como vigilância, rastreamento de contactos, isolamento, prevenção de infecções e práticas funerárias seguras.O Uganda fechou a sua fronteira com a RDC e impôs medidas de quarentena às chegadas, enquanto os campos de deslocados no leste do Congo continuam em alto risco devido à sobrelotação e às más condições sanitárias, aumentando o receio de uma maior propagação.

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